Por conta própria
Leia em voz alta, examine a materialidade e acompanhe separadamente 'nós', 'você' e 'vocês'. Anote quando a convocação seduz e quando só aponta uma arma cenográfica muito convincente.
Guia capenga de leitura
Perguntas para pensar ou conversar sobre um nós terrorista, um você recrutável, um vocês condenado, sua vó em cursiva, fogo crescente e uma capa que risca fósforo.
Este livro não é só poema, objeto ou bravata, mas um sistema inteiro de convocação. A caligrafia diferencia 'vocês' e 'você', 'sua vó' entra em cursiva, o fundo fotográfico vai incendiando as páginas e a própria capa risca fósforo. Aqui, forma material e discurso não andam separados; por isso este guia também não finge que cinquenta e seis páginas formam apenas um texto comprido e comportado.
Autor Douglas Domingues
edições fuinha · 2023 · 1 manifesto · ISBN impresso 978-65-00-78381-0
Leia em voz alta, examine a materialidade e acompanhe separadamente 'nós', 'você' e 'vocês'. Anote quando a convocação seduz e quando só aponta uma arma cenográfica muito convincente.
Dividam as vozes ou passem o objeto de mão em mão. Depois comparem quem se sentiu recrutado, ameaçado ou transformado em parte da massa que o manifesto despreza.
Se der branco: Não trate o livro como conteúdo verbal solto. Examine a tremedeira do plural, a calma do singular, a cursiva da vó, o fogo crescente e a capa que acende. Depois pergunte que coletivo está sendo inventado, quem ele seduz, quem expulsa e por que fala de terror com tanto prazer.
Leia o manifesto inteiro em voz alta e só depois responda ou converse. O texto ganha outra pressão quando assume o ritmo de proclamação.
Comece pela capa, pela caligrafia e pelo fogo do livro, depois passe ao conteúdo verbal. Funciona melhor para este caso do que fingir que design é decoração.
Organize a leitura em torno das três figuras centrais: o 'nós', o 'você' e o 'vocês'. A partir daí, o resto do livro costuma abrir.
01 / 01
Falando em nome de um 'nós' que se apresenta como célula terrorista estética, vital e antissistêmica, o poema-manifesto alterna ameaça, sedução e convocação. O plural 'vocês' é tratado como massa estéril, métrica, robótica e moralizante, enquanto o singular 'você' recebe a chance de ser infectado, juntar-se ao coletivo e até trazer a própria vó para dentro do caos. O texto quer destruir, mas fala dessa destruição como criação, prazer, liberdade e expansão da vida.
Palavras suspeitas: manifesto / coletivo / terror / recrutamento / vida
Alguma coisa que pareceu importante na hora