edições fuinha editora estranha

Herança maldita

Um chamado à dissidência financiada.

Você tem grana. Ou talvez só não precise mais trabalhar. Ou herdou um AP em Higienópolis. Ou ganhou um processo contra a Vivo. Ou simplesmente cansou de pagar por arte domesticada, que lambe o grant e agradece com gratidão performada.

Nós não somos uma ONG. Não temos selo do Itaú Cultural. Não temos “impacto social comprovado”.

Somos uma editora pequena, errada, e com um compromisso inabalável com o estranho.

Se você está lendo isso, é porque sente um incômodo que nem terapia reiki resolveu. Você já considerou financiar arte, mas sempre esbarrou em projeto demais. Não suporta mais a lógica do pitch, do plano de negócios, da arte como investimento.

Ajude a manter viva uma editora que não devia existir. Mas que, por alguma razão, insiste em continuar.

Quem somos

(Ou: o erro editorial como gesto político)

Somos a Cosac Naify que caiu do berço e bateu a cabeça no chão da gráfica. A Taschen com curadoria feita num lixão e orçamento de mimeógrafo emprestado da escola pública. A Ubu que repetiu de ano, colou na prova e ainda acha que sabe tudo. O Gustavo Piqueira que se perdeu numa bad trip ouvindo Odair José e nunca mais voltou pra reunião de pauta. A N-1 com oxiúros e disenteria foucaultiana. A Chão da Feira depois de um deslizamento de encostas de papel sulfite. A Editora 34 atropelada por uma mobilete pilotada por um poeta bêbado. A Penguin com sífilis e febre romântica de século XIX. A Zahar com paralisia do sono e acesso irrestrito ao YouTube das 3 da manhã. A Relicário editando com bisturi enferrujado e papel de pão. A Martins Fontes, se fosse comandada por um adolescente gótico que só lê grimório de sebo. E a Veneta com a sensibilidade artística de um aluno de quinta série que acha engraçado falar “cu”.

O livro como aberração gráfica. A diagramação como invocação. A revisão como vingança.

O que bebemos

(Metáfora líquida para investidores sóbrios)

As editoras de arte são vinho fino, uísque da reserva, gim com infusão de lavanda. A N-1 e a Sobinfluência são vodka gelada e discurso afiado. A Impressões de Minas é cachaça artesanal com rótulo tipográfico.

A gente é Corote com Tang, dividido com um amigo, quente, no vão do Minhocão. A gente é ressaca adolescente com gosto de menta vencida. Somos a bebida esquecida no copo plástico do sarau. O gole errado que faz rir. A tontura como projeto editorial.

O que publicamos

(Quando sobra um espaço na estante e uma falha na realidade)

As Edições Fuinha não buscam talento. Buscam falha exposta. Literatura maluca, imprestável pros salões, deliciosa pros porões.

  • Zines impossíveis.
  • Prosa encalacrada.
  • Poesia com febre.
  • Teoria da conspiração bem escrita.
  • Manual de instruções que vira fábula.
  • Memórias de um tempo que talvez nem existiu.

Enquanto outras editoras lapidam diamantes, a gente coleciona pedras que falam sozinhas.

Somos o Maiakóvski de baixo orçamento e baixa erudição. O Mallarmé viciado em Bob Esponja. O Hugo Ball de várzea. O Duchamp das Casas Bahia. Os Irmãos Campos com dor de barriga no terminal rodoviário. O Samuel Beckett comendo coxinha no Centro. O Georges Bataille reescrito por um camelô de cordel. A Clarice Lispector se tivesse sido editora da revista Tititi. O Kafka do grupo de zap da família. O James Joyce numa rave em Osasco. O Roland Barthes tentando explicar um meme do Whindersson.

O que prometemos?

Nada.

A gente não garante periodicidade, acabamento, calendário, coerência, sobriedade, ou qualquer outro item que você encontraria num edital público.

Mas a gente promete: Fazer nosso pior com o máximo de entrega. Errar com consistência. Publicar o que não devia ter sido publicado. Lutar pela permanência do absurdo impresso.

A verdade é: ninguém quer que isso dê certo mais do que a gente. A gente imprime coisa errada por falta de opção — e por teimosia. A gente financia isso com suor, insônia e vontade de ver o mundo mais esquisito.

Apoiadores não mandam, não aprovam, não dirigem. Apoiadores seguram a corda enquanto a gente desce o poço.

Como funciona?

Não é financiamento coletivo. É cumplicidade.

SOMOS UMA CRIANÇA ARTEIRA DE FÉRIAS QUE INCORPOROU UM MODERNISTA DADAÍSTA.

Se você parar pra pensar… talvez nunca nos ajude. Doe agora, no calor do momento. Arrependa-se depois. Se você parar pra pensar mais e mais… cê vai ficar deprê. Quer refletir? Vai ver um filme no REAG. Aqui é ação impulsiva, torta e bonita.

  • Um Pix mensal de qualquer valor (inclusive heranças acidentais).
  • Uma doação pontual com direito a nossos livros, zines, rascunhos, ou até um erro tipográfico só seu.
  • Ou nos apresenta aquele seu primo estranho, que herdou da avó um duplex e uma inquietação.
Herança maldita
PIX:

edicoesfuinha@gmail.com

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