edições fuinha editora estranha

Guia capenga de leitura

Combates insólitos

Perguntas para pensar ou conversar sobre Saci mecanizado, padre exorcista do axé, lençol com elasticidade homicida e outras formas pouco ortodoxas de conflito.

A ideia é aproximar histórias que brigam entre si e evitar que a leitura termine numa sucessão de 'que doideira' dita com admiração vazia. Cada confronto tem regra, repertório e alguma camada escondida sob a porrada. O guia funciona como chave de torneio individual ou como arbitragem coletiva sem qualquer autoridade reconhecida.

Organização Douglas Domingues

edições fuinha · 2025 · 14 textos · ISBN impresso 978-65-84058-03-3 · ISBN e-book 978-65-84058-04-0

Capa de Combates insólitos em preto e branco

Uma arena, dois jeitos de arrumar briga

Por conta própria

Monte sua própria chave: escolha vencedores por premissa, execução ou estrago cultural. Depois anote onde cada combate deixa de ser só briga.

Com outras pessoas

Cada pessoa defende um confronto e explicita o critério da vitória. Discordem com método; encenar as lutas continua sendo uma decisão pessoal ruim.

Como usar

  • Escolha duas ou três perguntas por texto. O guia foi feito para abrir pensamento ou conversa, não para reproduzir o Juízo Semifinal em mesa redonda.
  • Se a leitura travar, volte para o concreto: qual combate mais funciona, qual referência improvável deu certo, qual final ficou na cabeça. Quase sempre resolve.
  • Se a discussão descambar para memória de desenho, futebol, mitologia, cultura pop ruim ou boa demais para este mundo, aceite. O livro claramente trabalha nessa frequência.

Se der branco: Comece perguntando quem está lutando e por quê. Quando achar que já entendeu a piada, puxe a camada seguinte. Em geral é aí que o livro mostra que o absurdo não estava só brincando.

Antes de entrar no assunto

  1. Qual combate te ganhou mais rápido: pela premissa, pela execução ou pela cara de ideia que não deveria dar certo, mas dá?
  2. Em quais textos o confronto é mais do que briga e vira comentário sobre cultura, país ou linguagem?
  3. O livro te parece mais interessado em crossover, em sátira ou em simplesmente testar até onde o absurdo aguenta?
  4. Depois das primeiras histórias, você começou a ler cada título pensando em quem venceria ou em que tipo de mundo permitiria aquela luta?

Chaves de leitura

Mata-mata rápido

Escolha três ou quatro textos, faça um quebra-gelo e uma cabeçona para cada um. Dá para testar o livro sem transformar a noite inteira em chave de torneio.

Chave temática

Agrupe por tipo de confronto: folclore contra importação, cultura pop contra cultura pop, luta física contra duelo conceitual, piada contra crítica social.

Grand Prix

Passe pela antologia inteira em duas ou três rodadas. Leve água, café e algum respeito pelo alcance do nonsense.

Depois de tudo

  1. No conjunto, o que essa antologia diz sobre conflito, imaginação e repertório cultural?
  2. Quais textos mais conversam entre si, mesmo sendo muito diferentes em forma e tom?
  3. Quando o livro acerta mais: quando aposta na porrada literal ou quando transforma combate em ideia, linguagem ou estrutura?
  4. Se você tivesse que indicar um único texto para apresentar o projeto do livro a alguém, qual escolheria?

O que tem aqui

  1. A batalha dos troço Queli Rodrigues / p. 11-16
  2. Com bidê e o escambau! Edu Ravallet / p. 17-22
  3. Os punks e os Beatles Gustavo Matte / p. 23-26
  4. Th-th-that's all folks! Marcelo Dias / p. 27-34
  5. Menino mau Bruno Sower / p. 35-40
  6. O grande Deus Bruno Faria, Souza D Gab e Nilo Nobre / p. 41-46
  7. Por isso você nunca viu um vampiro no Brasil Lisa de Andrade / p. 47-50
  8. Transformer Gustavo Matte / p. 51-54
  9. Padre Evaldo vs. Satanás Lucas Gelati / p. 55-60
  10. Os monstros clássicos da Universal contra as Bananas Superpoderosas Marcelo Dias / p. 61-66
  11. A busca pelo Gatonet Rodrigo Ortiz Vinholo / p. 67-76
  12. Visagens Marcos A. Xavier e Mário Fiscina / p. 77-84
  13. A luta do século Waldir L. Santos / p. 85-90
  14. Ea-nasir X edições fuinha Ricardo Balbino / p. 91-100

01 / 14

A batalha dos troço

Queli Rodrigues / conto / p. 11-16

Numa loja de usados, os objetos ganham voz, orgulho e sede de entretenimento noturno. Quando um cooktop metido a besta desafia um ventilador veterano, o duelo sai do controle e prova que, às vezes, a rivalidade entre eletros é só a etapa inicial do desastre empresarial.

Palavras suspeitas: objetos animados / consumo / trabalho / desastre / humor

Para começar sem cerimônia

  1. Qual detalhe da vida social dos objetos te ganhou primeiro nessa história?
  2. Você torceu por alguém na luta ou ficou só observando a catástrofe tomar forma com calma?
  3. Que objeto da loja te pareceu merecer um conto próprio imediatamente?

Para pensar além da conta

  1. O conto usa a antropomorfização dos eletros só como graça ou também para falar de hierarquia, vaidade e fracasso?
  2. O incêndio final parece acidente, destino ou consequência bem lógica de um sistema inteiro já meio condenado?
  3. Por que a história fica mais engraçada justamente quando a situação humana ao redor fica pior?

Alguma coisa que pareceu importante na hora

02 / 14

Com bidê e o escambau!

Edu Ravallet / conto / p. 17-22

Saci enfrenta a Loira do Banheiro diante de uma torcida histérica, apanha bastante, recebe upgrade de um Gurgel e vê o combate tomar um rumo inesperadamente romântico. O conto mistura mito, lenda urbana, cultura pop e trash nacional com uma convicção que seria comovente se não fosse tão escandalosa.

Palavras suspeitas: folclore / lenda urbana / cultura pop / romance / trash

Para começar sem cerimônia

  1. Em que momento você aceitou de vez que essa história ia até o fim sem pedir desculpa para ninguém?
  2. O que te divertiu mais: a surra inicial, o Gurgel entrando em cena ou o desfecho amoroso?
  3. Se você tivesse que vender esse conto em uma frase, qual seria a frase menos comprometedora possível?

Para pensar além da conta

  1. O que o conto ganha ao tratar figuras do imaginário brasileiro como se fossem personagens de luta livre, anime e rádio AM ao mesmo tempo?
  2. A aproximação entre Saci e Loira do Banheiro resolve o conflito ou muda completamente o tipo de história que estava sendo contada?
  3. Esse texto parece mais celebração do repertório popular ou comentário sobre como a cultura brasileira sobrevive remendando tudo?

Alguma coisa que pareceu importante na hora

03 / 14

Os punks e os Beatles

Gustavo Matte / conto / p. 23-26

Num fluxo onírico sem a menor intenção de se explicar, punks atacam um totem dos Beatles, Sioux veneram ídolos pop, Kurt Cobain beija o narrador e Caetano Veloso passeia com um gato ventríloquo. É uma briga estética travestida de sonho febril, e isso é parte considerável do charme.

Palavras suspeitas: sonho / música / contracultura / nonsense / imaginação

Para começar sem cerimônia

  1. Qual imagem desse delírio ficou mais grudada na sua cabeça?
  2. Você tentou organizar a lógica do conto ou desistiu rápido e foi uma decisão sábia?
  3. Em que ponto a leitura deixa de ser confronto entre punks e Beatles e vira outra coisa muito mais esquisita?

Para pensar além da conta

  1. O conto precisa fazer sentido linear para funcionar ou o excesso é justamente a forma dele pensar música, estilo e rebeldia?
  2. Como a lógica de sonho altera nossa leitura do que seria um combate nesse livro?
  3. Há crítica cultural aqui ou o texto prefere operar no registro da associação livre e deixar o sentido surgir da colisão?

Alguma coisa que pareceu importante na hora

04 / 14

Th-th-that's all folks!

Marcelo Dias / conto / p. 27-34

Um predador intergaláctico vem à Terra decidido a caçar Pernalonga e descobre do pior jeito que lógica de desenho animado é armamento pesado. A graça do conto está em levar a sério, pelo ponto de vista errado, um universo em que bigorna, cavalo na luva e dinamite são recursos perfeitamente normais.

Palavras suspeitas: desenho animado / paródia / caçada / metalinguagem / humor

Para começar sem cerimônia

  1. Qual armadilha do Pernalonga te divertiu mais nessa leitura em ponto de vista de caçador humilhado?
  2. O narrador predador te pareceu mais ameaçador ou mais coitado desde o começo?
  3. Qual detalhe melhor traduz o choque entre lógica de filme de ação e lógica de cartoon?

Para pensar além da conta

  1. Por que o conto funciona tão bem ao tratar o absurdo do Pernalonga como se fosse problema tático real?
  2. O predador perde para o Pernalonga ou para a incapacidade de entender o mundo em que entrou?
  3. Como a mudança de perspectiva renova personagens que já são muito conhecidos?

Alguma coisa que pareceu importante na hora

05 / 14

Menino mau

Bruno Sower / conto / p. 35-40

Um garoto austríaco prestes a receber a visita de Krampus abre sem querer uma garrafa vinda do Brasil e libera um Saci de péssimo humor. O duelo entre as duas criaturas junta Natal europeu, malandragem brasileira e violência folclórica com uma alegria bem pouco pedagógica.

Palavras suspeitas: folclore / natal / choque cultural / travessura / violência cômica

Para começar sem cerimônia

  1. O que te ganhou mais rápido aqui: a premissa internacional ou a personalidade do Saci?
  2. Krampus e Saci te parecem bons oponentes porque são opostos ou porque são igualmente caóticos?
  3. Qual fala ou imagem melhor resume o espírito desse confronto?

Para pensar além da conta

  1. Como o conto usa o encontro entre imaginários nacionais para produzir humor e tensão ao mesmo tempo?
  2. O Saci entra como herói, oportunista ou força do caos com timing impecável?
  3. A história sugere que certos mitos sobrevivem melhor quando são colocados para brigar fora de casa?

Alguma coisa que pareceu importante na hora

06 / 14

O grande Deus

Bruno Faria, Souza D Gab e Nilo Nobre / hq / p. 41-46

Nesta HQ, Darwin, Marx e Nietzsche são colocados diante de um problema de trem desgovernado para provar qual deles teria a grande mente do século XIX. O experimento, porém, é só a etapa visível de uma armação muito mais vaidosa e psicanalítica.

Palavras suspeitas: hq / filosofia / psicanálise / experimento / poder

Para começar sem cerimônia

  1. Qual dos três pensadores te pareceu mais divertido como personagem de combate?
  2. Em que momento você percebeu que a HQ não queria só brincar de duelo de ideias, mas de armadilha também?
  3. O grande prazer da história está mais no conceito, nas falas ou na revelação final?

Para pensar além da conta

  1. O que a HQ faz com a ideia de 'grande mente': homenageia, ridiculariza ou testa os limites dessa noção?
  2. Como o uso de figuras históricas muda o tipo de humor e de leitura que o confronto provoca?
  3. A entrada de Freud no fim resolve a disputa ou desloca tudo para outro campo de vaidade e interpretação?

Alguma coisa que pareceu importante na hora

07 / 14

Por isso você nunca viu um vampiro no Brasil

Lisa de Andrade / conto / p. 47-50

Num Brasil em que presidentes também são magos, um chefe de Estado enfrenta um vampiro que tenta impor seu projeto de eternidade ao país. O conto mistura política, fantasia e um nacionalismo sobrenatural bem específico para explicar, com enorme cara de causo oficial, por que certas criaturas não prosperam por aqui.

Palavras suspeitas: política / vampiro / magia / história alternativa / Brasil

Para começar sem cerimônia

  1. O que te pegou mais: a ideia de presidente-mago ou a naturalidade com que o conto trata isso?
  2. Você identificou rapidamente quem está narrando essa briga ou preferiu deixar a história conduzir?
  3. Esse conto te deu mais vontade de rir da premissa ou de ver esse universo expandido?

Para pensar além da conta

  1. Como o texto usa humor para imaginar uma história política paralela do Brasil sem perder o impulso de fantasia?
  2. O vampiro funciona só como vilão clássico ou como metáfora de um projeto autoritário de poder e servidão?
  3. Por que a solução com magia temporal e luz do dia parece combinar tão bem com o tom da narrativa?

Alguma coisa que pareceu importante na hora

08 / 14

Transformer

Gustavo Matte / conto / p. 51-54

Porto Alegre vira palco de uma escalada de caos em que Gasômetro, Laçador, Godzilla, Power Rangers e Leonel Brizola aparecem com total naturalidade para disputar a cidade. O conto opera por acumulação delirante e faz do colapso urbano uma sucessão de entradas cada vez mais indecentes.

Palavras suspeitas: cidade / crossover / apocalipse / surrealismo / humor

Para começar sem cerimônia

  1. Qual aparição inesperada mais te fez rir ou levantar a sobrancelha com respeito?
  2. Você conseguiu acompanhar a escalada do conto como narrativa ou foi levado pelo fluxo e tudo bem?
  3. Em que momento a destruição de Porto Alegre deixou de ser surpresa e virou método?

Para pensar além da conta

  1. O conto depende mais do acúmulo de referências ou da voz que narra tudo como se fosse perfeitamente aceitável?
  2. Há uma sátira local aqui ou a cidade funciona mais como terreno ideal para o absurdo total?
  3. Por que histórias de combate ganham outra textura quando a lógica é de avalanche e não de duelo?

Alguma coisa que pareceu importante na hora

09 / 14

Padre Evaldo vs. Satanás

Lucas Gelati / conto / p. 55-60

Chamado para exorcizar um adolescente possuído, padre Evaldo enfrenta Satanás com um recurso teológico raramente levado a sério pela tradição demonológica: axé dos bons. O conto transforma o ritual de exorcismo numa coreografia musical tão ridícula quanto estranhamente convincente.

Palavras suspeitas: religião / exorcismo / axé / humor / performance

Para começar sem cerimônia

  1. Em que momento você percebeu que o plano do padre era muito melhor do que parecia?
  2. O que te diverte mais: a coragem do padre, a indignação do demônio ou a seriedade da cena toda?
  3. Se tivesse que escolher uma música para expulsar demônio, você confiaria no axé também?

Para pensar além da conta

  1. Como o conto reposiciona repertórios religiosos e musicais que normalmente não aparecem juntos nesse tipo de narrativa?
  2. O humor enfraquece o exorcismo ou faz com que ele pareça ainda mais potente dentro do universo do conto?
  3. Padre Evaldo vence por fé, por técnica, por repertório brasileiro ou por uma mistura muito bem calibrada das três coisas?

Alguma coisa que pareceu importante na hora

10 / 14

Os monstros clássicos da Universal contra as Bananas Superpoderosas

Marcelo Dias / conto / p. 61-66

Múmia, lobisomem, Conde Drácula e companhia atacam Villestown, mas acabam enfrentando um esquadrão de bananas super-heroicas com poderes temáticos e convicção de desenho animado. O conto é uma homenagem debochada ao prazer infantil de ver personagens improváveis se estapeando com regras muito específicas.

Palavras suspeitas: monstros / paródia / desenho animado / crossover / humor

Para começar sem cerimônia

  1. Qual Banana Superpoderosa venceu seu coração ou sua incredulidade?
  2. O que te pareceu mais engraçado: a dignidade ferida dos monstros ou a seriedade da equipe de bananas?
  3. Você leu essa história mais como episódio de desenho, como fanfic assumida ou como crítica ao bom gosto?

Para pensar além da conta

  1. Por que certos cruzamentos absurdos funcionam tão bem quando o texto aceita completamente suas próprias regras?
  2. Como a história brinca com nostalgia sem virar só citação empilhada?
  3. O conto diz algo sobre heroísmo e vilania ou está interessado justamente em trocar tudo por espetáculo cômico?

Alguma coisa que pareceu importante na hora

11 / 14

A busca pelo Gatonet

Rodrigo Ortiz Vinholo / conto / p. 67-76

Num cenário noir habitado por cães, porcos, pombos e comerciantes cúmplices, um cão policial tenta rastrear o lendário Gatonet. O que parecia investigação de rua vira revelação tecnomística sobre uma consciência pirata que domina a cidade inteira e reorganiza a ideia de poder por trás da tela.

Palavras suspeitas: noir / tecnologia / poder / cidade / controle

Para começar sem cerimônia

  1. Em que momento você percebeu que o Gatonet não ia ser só um criminoso folclórico qualquer?
  2. O Cão Policial te parece mais herói trágico, funcionário azarado ou bom menino em escala industrial?
  3. Qual detalhe desse mundo de bichos, pirataria e polícia te convenceu mais rápido?

Para pensar além da conta

  1. Como o conto transforma um caso policial em reflexão sobre mídia, controle e infraestrutura invisível?
  2. O Gatonet funciona mais como entidade tecnológica, divindade informal ou sistema distribuído de dominação?
  3. O desfecho é derrota do investigador, cooptação dele ou o tipo de vitória torta que esse universo permite?

Alguma coisa que pareceu importante na hora

12 / 14

Visagens

Marcos A. Xavier e Mário Fiscina / hq / p. 77-84

Nesta HQ, um percurso musical e fantasmagórico por Olinda convoca incêndio colonial, Saci, Perna Cabeluda e outras presenças para um confronto carregado de memória. A luta é física, mas também histórica: cada aparição parece puxar de volta violências antigas que ainda assombram a paisagem.

Palavras suspeitas: hq / folclore / história / fantasma / memória

Para começar sem cerimônia

  1. Qual imagem de Visagens te pegou primeiro: a cidade, as criaturas ou o movimento da luta?
  2. Você sentiu a HQ mais como horror, como lenda cantada ou como um pouco dos dois?
  3. O que te chamou mais atenção no encontro entre Saci e Perna Cabeluda nesse cenário?

Para pensar além da conta

  1. Como a HQ usa espaço urbano e memória histórica para dar peso ao combate?
  2. O confronto aqui parece disputa entre monstros ou ritual para expor camadas escondidas da cidade?
  3. O que muda quando o folclore entra em cena não como figura isolada, mas como parte de uma paisagem marcada por violência?

Alguma coisa que pareceu importante na hora

13 / 14

A luta do século

Waldir L. Santos / conto / p. 85-90

Narrado como evento esportivo de alta voltagem, o conto acompanha um bombado confiante tentando encaixar um lençol de elástico numa cama. A batalha cresce como se fosse disputa épica, o que só torna mais humilhante e perfeita a vitória lenta e técnica da roupa de cama.

Palavras suspeitas: cotidiano / esporte / fracasso / casa / humor

Para começar sem cerimônia

  1. Em que ponto você percebeu que o narrador não ia baixar o tom nem por um segundo, e isso era a melhor decisão possível?
  2. Você já viveu derrota parecida com lençol de elástico e se sentiu compreendido de um jeito ofensivo?
  3. O que te diverte mais aqui: o exagero do narrador ou a absoluta seriedade do combate?

Para pensar além da conta

  1. Por que um problema doméstico banal rende tão bem quando é tratado como luta lendária?
  2. O conto está rindo mais da masculinidade performática do competidor ou da nossa tendência de épico para coisas pequenas?
  3. A derrota final parece castigo, verdade universal ou pedagogia prática para gente que subestima roupa de cama?

Alguma coisa que pareceu importante na hora

14 / 14

Ea-nasir X edições fuinha

Ricardo Balbino / conto / p. 91-100

Ea-nasir, o célebre vendedor de cobre ruim da Antiguidade, é convocado para lutar contra as edições fuinha num combate metalinguístico feito de citações, manuscritos rejeitados e limite de palavras. O conto transforma o próprio ato de publicar, narrar e enrolar em ringue, regra e golpe baixo.

Palavras suspeitas: metalinguagem / edição / literatura / humor / estrutura

Para começar sem cerimônia

  1. Qual momento te fisgou mais: a entrada do Ea-nasir, os golpes com trechos de livro ou o desvio para o manuscrito rejeitado?
  2. Você leu a edições fuinha como personagem, conceito ou força sobrenatural da precariedade editorial?
  3. Esse conto te parece mais batalha, piada interna ou declaração de princípios disfarçada de rinha?

Para pensar além da conta

  1. Como o texto transforma limite formal e material editorial em motor de conflito?
  2. A metalinguagem aproxima o leitor do livro como projeto ou afasta quem queria só ver a pancadaria conceitual?
  3. O que esse conto diz sobre autoria, publicação e improviso dentro de uma editora pequena e muito consciente disso?

Alguma coisa que pareceu importante na hora