Por conta própria
Escolha alguns contos e anote quem se une a quem, qual pacto está sendo feito e onde ele começa a feder. Depois compare as cerimônias sem precisar pegar buquê.
Guia capenga de leitura
Perguntas para pensar ou conversar sobre noivas monstruosas, alma em matrimônio, reality de conto de fadas e o velho sonho humano de oficializar o improvável.
Cada conto funciona como cerimônia problemática com sua própria lógica torta. Casamento, nesta antologia, é menos instituição e mais dispositivo narrativo para juntar desejo, vexame, religião, horror, televisão e afeto mal calibrado. O guia serve para comparar esses pactos sozinho ou com outras pessoas, sem exigir traje social nem acreditar na estabilidade de nenhum altar.
Organização Douglas Domingues
edições fuinha · 2026 · 10 textos · ISBN impresso 978-65-84058-07-1 · ISBN e-book 978-65-84058-08-8
Escolha alguns contos e anote quem se une a quem, qual pacto está sendo feito e onde ele começa a feder. Depois compare as cerimônias sem precisar pegar buquê.
Cada pessoa leva um casamento para a mesa e defende sua classificação: romântico, monstruoso, místico, midiático ou caso de anulação imediata.
Se der branco: Se der branco, nomeie o tipo de união de cada história: romântica, narcísica, mística, monstruosa, midiática, blasfema ou simplesmente condenável. Essa chave costuma render mais do que tentar domesticar o absurdo logo de saída.
Leia três ou quatro textos e combine uma pergunta de aquecimento com uma mais funda para cada um. Bom para testar o tom do livro sem transformar a noite em buffet completo.
Agrupe os textos por afinidade: religião e profanação, romance monstruoso, mídia e espetáculo, amor impraticável. Comparar desvios costuma revelar parentescos suspeitos.
Passe pela antologia inteira em duas ou três rodadas. Leve água, algum cinismo e respeito pelas instituições que este livro pisa de salto.
01 / 10
A abertura já entrega o pacto do livro: casamento como escândalo, risco, protocolo sabotado e licença para unir o que não deveria dividir altar. Em vez de normalidade, a apresentação assume o absurdo como liberdade afetiva e narrativa.
Palavras suspeitas: absurdo / casamento / liberdade / apresentação
Alguma coisa que pareceu importante na hora
02 / 10
Eva, recém-inaugurada na existência, é arrastada para uma versão edenizada de programa de auditório comandado por João Kléber. O conto mistura criação do mundo, teste de fidelidade, erotismo debochado e mercadoria milagrosa com convicção suficiente para humilhar qualquer catecismo.
Palavras suspeitas: bíblia / televisão / adultério / humor / paródia
Alguma coisa que pareceu importante na hora
03 / 10
Um padrinho interrompe a cerimônia para esclarecer o óbvio: a noiva é uma tampa de privada. Daí em diante, o conto vira crise ontológica, palhaçaria filosófica, liturgia torta e comentário sobre livre-arbítrio, bem-casado derretido e amor entre um clown e um objeto trouvé afetivo.
Palavras suspeitas: arte / absurdo / palhaço / objeto / igreja
Alguma coisa que pareceu importante na hora
04 / 10
Branca de Neve reaparece num programa de namoro em que os anões viram tipos masculinos descartáveis e o grande prêmio amoroso vem mediado por biombo, audiência e revelação tardia. É conto de fadas triturado por linguagem televisiva e remontado como espetáculo sentimental de gosto duvidoso.
Palavras suspeitas: conto de fadas / reality show / televisão / espetáculo / humor
Alguma coisa que pareceu importante na hora
05 / 10
Helen passa a vida estudando a alma até decidir que seu único casamento possível é com a própria. Para isso, convoca um demônio, extrai a alma do corpo e transforma narcisismo espiritual, misticismo e desejo de pureza em ritual tão belo quanto obviamente fadado a cobrar um preço.
Palavras suspeitas: alma / ritual / demônio / narcisismo / misticismo
Alguma coisa que pareceu importante na hora
06 / 10
Duas noivas atravessam a igreja como duplicatas de renda escura e pequenas incongruências corporais, conduzindo a cerimônia para uma zona de sonho, monstros delicados e romance levemente apocalíptico. O conto trabalha a estranheza pela atmosfera, não pela pressa, e vai acumulando doçura onde o leitor esperava susto.
Palavras suspeitas: sonho / noivas / monstruosidade / romance / atmosfera
Alguma coisa que pareceu importante na hora
07 / 10
Enzo, jovem preguiçoso e quase ornamental, mal sabe que recebe pagamento mensal por ter servido de elo involuntário a uma história de amor muito menos banal do que sua rotina de miojo com bacon sugeriria. O conto cruza observação cínica sobre masculinidade frouxa com fantasia doméstica e gratidão improvável.
Palavras suspeitas: preguiça / fantasia / masculinidade / cotidiano / casamenteiro
Alguma coisa que pareceu importante na hora
08 / 10
À espera de uma cerimônia sagrada que a apavora e fascina, Ana Elise atravessa o convento como noiva escolhida para um enlace com o Altíssimo. O conto mistura erotismo, medo religioso e solenidade opressiva até transformar devoção em cena de casamento com forte carga sacrificial.
Palavras suspeitas: religião / erotismo / convento / sacrifício / medo
Alguma coisa que pareceu importante na hora
09 / 10
Em Araçoiaba da Serra, uma stripper célebre e uma criatura lacustre antropófaga resolvem oficializar a união diante de população dividida entre desejo, luto, escândalo e curiosidade. O conto trata o casamento como evento público grotesco, político e sensacionalista, sem perder a ternura grotesca do casal.
Palavras suspeitas: monstra / erotismo / cidade pequena / escândalo / horror
Alguma coisa que pareceu importante na hora
10 / 10
Maria Clara, farta de homens ruins, encontra no cemitério e em seus arredores um caminho improvável para outro tipo de vínculo: uma sequência de criaturas, maus presságios e romantismo torto que desemboca num amor felpudo, fúnebre e estranhamente acolhedor. O conto combina humor, gótico pop e conto de encontro sobrenatural.
Palavras suspeitas: cemitério / romance / criaturas / gótico / humor
Alguma coisa que pareceu importante na hora